Vou
falar sobre uma rapariga, que no seu jeito é bela, formosa e elegante.
Eu
não a conheço, e certamente que ela também não me conhece, mas sinto que às
vezes trocamos olhares.
Num
certo dia muito calmo e sereno, enquanto ela caminhava no seu jeito singelo,
eu, na minha perspicácia e destreza, fiz-lhe uma rasteira. Ela caiu numa forma
desastrosa, violenta e abrupta, como que com a maior de todas as forças fosse
projectada contra o chão. Eu ri-me. Envergonhada, sangrenta, ferida e deformada, nariz partido e três dentes em falta, ela levantou-se, e caiu novamente, pois
na aparatosa queda também tinha partido uma perna. Pela segunda vez levanta-se, e, tal
como a Fénix que renasce das cinzas, ela, devido ao local onde caiu, ergue-se com toda a sua falta de elegância dos despojos como uma porca.
A partir desse dia nunca mais falámos, eu
apaixonei-me por ela e ela nunca mais me quis dirigir a palavra, e até hoje não
percebi o porquê.
Agora passo os dias a pensar nela, mesmo
sabendo que nunca vai sentir o mesmo por mim. Escrevo poemas relembrando os
momentos felizes que tivemos, apesar de todos eles se resumirem àqueles dois
minutos de quando a conheci. Ainda hoje me rio quando relembro aquela queda...
Parece
estúpido, mas é assim que as cousas funcionam: estupidamente. Especialmente no
que toca aos assuntos do coração, não se consegue encontrar a lógica de onde
surge uma paixão; mas a verdade é que ela surge e afecta cada um de nós de uma
forma especial que nos marca para o resto da vida. Assim, o melhor que temos a
fazer é aprender com ela.