Se sonho é o que comanda a vida, pergunto-me, a que ponto é que tenho de parar de sonhar para seguir com a vida no percurso delineado pelo meu sonho? Em que ponto, no pensamento do meu sonho, eu tenho de parar de pensar, encarar a realidade e tomar as rédeas da ação física? E por isso questiono-me mais profundamente até que ponto eu tenho de pensar, sobre tudo o que tenho a pensar para algo concretizar, até que essa ação deixe de ser necessária por no meu pensamento eu já imaginar todos os cenários possíveis do que poderá, ou não, acontecer? Até que ponto é necessário realizar algo, que seja sonho ou idealização, se no meu pensar já pensei em todos os desfechos mais prováveis e menos prováveis?
Tenho a plena noção que uma pessoa que está constantemente a pensar não sabe fazer nada mais do que apenas isso. Perde o tato com a realidade e passa a viver num mundo de ilusões. Passa a ser um prisioneiro do seu próprio mundo, condenado pelo seu conforto, num asilo da própria mente e do qual não quer escapar. Sente que todas as experiências que pode e poderá vir a sentir podem ser premeditadas e imaginadas. Vive num constante ciclo entre o pensamento e a aparente sagacidade. Pensa que pode imaginar como seria qualquer cenário e, tão depressa como quem chega a essa conclusão, parte para outra imaginação da sensação. Não se importa de não viver no mundo real porque primeiramente, na sua mente, já viveu esse momento. Sei bem como é uma pessoa assim porque mal ou bem, eu conheço-me.
O que interessa amar então, se tudo o que posso sentir já foi imaginado e vivido na minha mente? De que vale sair para esta realidade e passar por este penar de fingir ser alguém que não sou para poder interagir de forma normal com os restantes transeuntes deste mundo?