segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O piano que cura um coração partido

     Se o meu gato morresse
Eu ficava triste,
     Se um piano caísse em cima de ti,
     Eu atirava outro por cima.

    Não tenho nada contra ti,
Mas se tivesse um piano eu não hesitava.

Tu não és feia
     Mas comparada com um piano
    És uma gorda!

  Tenho esperança que um dia
    Sejas uma pessoa melhor,
E espero que nesse dia
Leves com um piano em cima.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Da boca só sai mentira, até encontrar a verdade*

 "Tenho medo daquilo que vou escrever,
 Não sei o que vais pensar ou dizer.
 Não sei se pense sequer,
 Ou se sinta, como outra qualquer.
 Não sei se me de ao luxo de comentar,
 E não direi, talvez, tudo aquilo que quero
 Por receio de magoar,
 Ou de ser magoada, gozada... espezinhada.
 Existem parecenças, 
 Entre algumas das nossas crenças,
 Por isso acho que nada tenho a criticar, 
 Uma vez que é mais fácil falar.
 Indecisa também estou,
 Numa bifurcação,
 Não sei de hei de seguir a cabeça ou o coração.
 A cabeça indica imaturidade,
 Que pode magoar, e deprimir,
 E no coração falta a verdade, 
 Pois no meio de um turbilhão de novidades,
 Os sentimentos foram menosprezados, espezinhados,
 Não compreendidos, talvez até agredidos,
 Mas numa grande reflexão percebo
 Que talvez fosse um mero coração a encontrar uma amizade.
 Mas como disse não percebo nada,
 Da boca só sai mentira, até encontrar a verdade."  
                                                                                             θɛɏʇꙇ!ⱬ ƒ

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Desabafo para um tempo certo que virá.

Neste momento
Não queria sentir este peso em todos os meus textos.
Mas e se o tempo muda,
E tudo volta ao mesmo?


Este é o momento
Que define um novo rumo, e eu quero mudar!
Mas e se tudo volta ao mesmo,
E o que foi até agora é o seguro?


Haverá um momento,
Que virá com o vento,
E será o certo.
E eu nem me vou preparar
Porque nem vou reparar
que esse dia chegou.
Mas espero vir a dar conta,
Olhar para o lado
E saber que estou a ir.

domingo, 30 de outubro de 2016

O tempo certo que nos levará mais longe

E passa por nós
Mas nunca fica,

Pelo menos o Certo.
E quando sabemos que ele o é,
Já passou.

Mas sabemos que há muitos,
Mas poucos são os certos
E quando vêm não os vemos,
Quando os vemos
Não são bons.

Muitos passam
E ao meu lado muitos vão,
Já eu, espero o Certo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Não posso porque é proibido!

É angústia e desolação.
Querer poder ter partido e não o ter
Não, porque não posso,
Apenas por ser proibido.

É encanto e perfeição.
Raro achado, sem achar
Maça proibida que meus olhos querem comer,
Minha alma não quer deixar.

Talvez ilusão por desejo!


sábado, 4 de junho de 2016

Deixar passar o tempo e não a conhecer

Houve alguém,

           a quem eu não falei
       e parou-me no tempo.

Agora que voltei,
           já estou de ida 
        e nunca mais a vejo.  

Longos cabelos negros
           são como raros achados,
        cuja a minha má fortuna
        não me deu tão grandes graças. 

Não caíam no infortúnio 
          de enamorar alguém,
        deixar passar o tempo, e não a conhecer.
   

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Os dois pontos de vista de uma rapariga que nem sequer se chama Laura!

  Ela sabia que ele existia, ela e todas as raparigas da escola.
  Ele era o mais bonito, o mais simpático, o mais atraente, e, para delírio de todas, não tinha namorada. Ele não sabia que ela existia.
  Ela era... simples... especial... bem, para dizer a verdade, ela era feia que nem um abutre, uma vaca deformada, doía só de olhar, mas bem, é assim a vida, ninguém é perfeito, nomeadamente ela!
  Num dia perfeito de verão, enquanto ela passeava pelo jardim, reparou que ele vinha na sua direção, fixado nos seus olhos. Ela corou mas continuou caminhando na direção dele, e a cada passo que dava o seu coração palpitava cada vez mais.
  Ao cruzarem-se ele abordou-a, e, de uma forma afetuosa com um sorriso meigo no rosto disse:
   -Olá...
  Ela, num enorme esforço, com coração na boca e muito envergonhada disse baixinho:
   -Olá.
  Houve um momento de silêncio enquanto os dois cruzavam olhares, até que ele disse:
   - Olha, era só para dizer que és estrábica! Xau Laura!





terça-feira, 10 de maio de 2016

Um dos tormentos de um senhor

 Vou falar sobre uma outra rapariga, que no seu jeito é bela e enigmática.
 Eu não a conheço, mas ao longe tento percebê-la.
 Mas no fundo isso não interessa, porque eu fico sempre parado e nada faço. Não arrisco, tenho medo. E assim passam dias, semanas, messes, anos... Habituei-me e já não conheço outra maneira de estar.
Alegre, padeço!

segunda-feira, 14 de março de 2016

Num outro universo Platão definiu o seu amor de forma diferente



     Vou falar sobre uma rapariga, que no seu jeito é bela, formosa e elegante.
     Eu não a conheço, e certamente que ela também não me conhece, mas sinto que às vezes trocamos olhares.
    Num certo dia muito calmo e sereno, enquanto ela caminhava no seu jeito singelo, eu, na minha perspicácia e destreza, fiz-lhe uma rasteira. Ela caiu numa forma desastrosa, violenta e abrupta, como que com a maior de todas as forças fosse projectada contra o chão. Eu ri-me. Envergonhada, sangrenta, ferida e deformada, nariz partido e três dentes em falta, ela levantou-se, e caiu novamente, pois na aparatosa queda também tinha partido uma perna. Pela segunda vez levanta-se, e, tal como a Fénix que renasce das cinzas, ela, devido ao local onde caiu, ergue-se com toda a sua falta de elegância dos despojos como uma porca.
   E eu, ali parado à sua frente onde os seus olhos me fulminavam de fúria, analisando todo o caos que eu tinha causado, caí em mim, e deparando-me com tal situação sem hesitar larguei a maior das gargalhadas. Ela saiu a chorar, pelo que penso que não tenha percebido a piada que teve a sua fascinante queda.
   A partir desse dia nunca mais falámos, eu apaixonei-me por ela e ela nunca mais me quis dirigir a palavra, e até hoje não percebi o porquê.
   Agora passo os dias a pensar nela, mesmo sabendo que nunca vai sentir o mesmo por mim. Escrevo poemas relembrando os momentos felizes que tivemos, apesar de todos eles se resumirem àqueles dois minutos de quando a conheci. Ainda hoje me rio quando relembro aquela queda...

   Parece estúpido, mas é assim que as cousas funcionam: estupidamente. Especialmente no que toca aos assuntos do coração, não se consegue encontrar a lógica de onde surge uma paixão; mas a verdade é que ela surge e afecta cada um de nós de uma forma especial que nos marca para o resto da vida. Assim, o melhor que temos a fazer é aprender com ela.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Esperança

Inconfundível, teu brilho todas as manhãs,
Nasces sem adornos nem esperanças,
E sem te aperceberes aquentas-me o coração
Sem nunca precisares de uma estação.

Mas por agora espero debaixo desta chuva incessante.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Desvio do olhar (O princípio)

Tuas palavras eu espero
Nesta serena tarde bela,
Se não vieres manda uma carta
Com o teu perfume nela.

Teus olhos lindos se desviam
E eu nada posso mudar,
Quando te vejo também me vês
Mas com diferente brilhar

A tua pele, morena, serena, descansada,
Tranquila, vivida como a tua alma
Reluzentes como uma fonte,
Teus olhos me falaram e acalmaram.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Primavera perdida

Não há maior flagelo,
Na ânsia de desabrochar,
Ver a Primavera a ir
De mãos dadas com o pesar.

Agora vejo-a, ao longe,
Como se com o Diabo fosse casar,
Levando todas as flores
Que durante a sua passagem viu aflorar.

Ai, se o tempo voltasse atrás
E no meu esperar eu não tanto esperasse,
Anunciava-me à Primavera
E com ela tinha o meu desenlace.