Era uma vez um homem trabalhador, o trabalho específico
que este indivíduo exercia é me desconhecido, mas sei que envolvia uma escada,
e é tudo o que interessa para esta história.
Num certo dia, enquanto o homem utilizava a escada para
realizar a sua tarefa, uma mulher atraente aproxima-se e, com a sua voz
sedutora dirigindo-se para o homem profere um piropo curto e claro.
O pobre coitado, feio que nem um animal, um abutre
deformado e malcheiroso, no cimo da escada olha para baixo e, deslumbrado com a
visão que tem, fica imobilizado e sem palavras.
Após alguns segundos, o pobre do homem, agora muito
nervoso, ganha coragem e começa a sua longa viajem de descer a escada em
direção à elegante mulher que se encontrava à sua espera. Pé ante pé, vai
descendo a escada até que, a meio da sua jornada e talvez devido ao seu
nervosismo o coitado do homem coloca o pé em falso e, abruptamente, cai redondo
no chão. Apesar de tal aparatosa queda o homem fica bem, perdendo apenas um dente frontal aumentando assim a sua repugnância. Contudo não desiste e segue até ao
seu objetivo.
Ao chegar ao pé da moça o homem pôde contemplar a sua
elegância inigualável. Loira, de olhos verdes, pele clara e extremamente alta.
Decide que devia estar ao mesmo nível que ela e sem
demora o miserável homem arranja um banco para se poder colocar à mesma altura. Sem dirigir
nenhuma palavra, apenas sabendo que era o correto a fazer, dá-lhe um beijo.
E é assim a história deste bêbado, que faz algo
extraordinário para obter nada em troca. Não porque merece, mas apenas porque é
um bêbado que beijou um manequim.