sábado, 23 de maio de 2020

Este texto contém muito a palavra tempo

 Já foi o tempo em que o tempo era meu!
Adoro o tempo! Adoro pensar no tempo e em todas as forma que toma. Adoro pensar na passagem do tempo, da vida que nele anda, a forma de como ele nos pega ao colo e gentilmente nos carrega para todo lado. Gosto de pensar na particularidade de o tempo não ter vida, não ter forma, não ser nada, não ter nada e apenas ser como sempre foi, imutável a si próprio.
O tempo é quem tudo sabe e o único que tudo saberá. Ele será o derradeiro vencedor da existência e no fim, quando por fim ele acabar, levará consigo ele mesmo. Não existirá comemoração da sua vitória porque no fundo nunca nada existiu.
Quando o tempo acabar tudo desaparece, tudo o que foi até agora e o que estará para vir, tudo o que conheço, tudo o que vi e vivi, tudo o que fiz, todo o tempo que vi passar por mim, todo o tempo que aprendi que passou, perdidos para sempre num sitio que não existe num universo que nunca existiu, numa forma que a mente humana não consegue idealizar.  É um facto tão absurdo mas tão fácil de aceitar.
Adoro o tempo, gosto da palavra, remete-me para tudo, porque para mim o tempo é tudo o que tenho e tudo o que sempre tive. O tempo é a única coisa à qual me consigo agarrar, só ele é que me dá esperança, só ele é que me a tira, só ele é que me dá paciência e só ele é que me dá inquietude. O tempo é meu companheiro, como sempre foi. Ele é o meu melhor amigo e sempre o será. De mim, nunca ninguém ira levar o meu tempo. Sinto que ele é o meu companheiro de vida, só a ele confio, só ele sabe todos os meus segredos, todos os meus pesares, todas as minhas alegrias e todas as minhas esperanças. E mais do que isso, só a ele é que as confio para as levar mais longe.
No fundo eu amo o tempo. Mesmo que às vezes me faça passar demasiado por ele e me faça esperar por aquilo que já não vem. Gosto de pensar que se ele me elaborou isso, foi por uma razão. Ou talvez esteja errado porque no fundo gosto mais do tempo do que devia.
Mas sei que nunca deixarei de gostar. É um dogma! É o meu tempo e com ele por tudo passarei.
Mas sinto que este tempo pertence muito a mim e não me ajuda a crescer como pessoa. Preciso mais do que um tempo para chegar mais longe, mas preciso do tempo para me levar até esse lugar.

segunda-feira, 30 de março de 2020

O bem-estar da amargura

Estar tudo bem
Entre nós é fácil,
Somos o maltrato de cada um
O bem-estar da amargura

Hoje acordei com a certeza
Que será o primeiro dia da minha vida
Sem a descrença
Do que aquilo que será feito hoje
Será a alegria dos tempos esperados

E saio de casa
Com um sorriso bobo na cara
Relembrando que o dia de ontem
Foi a resposta do destino
À certeza aguardada

O afago trocado
Os beijos ternos mútuos
Todo o amor sentido por nós
Foi um tempo esperado que chegou

Já não caminho perdido, nesta noite tão bela
Sei onde tenho de ir para voltar a roubar um olhar,
Segurar a tua mão e não te deixar escapar

Agora chego até a ti
Sem esperanças, mas com o tempo na mão
À espera de o gastar contigo

Mas vejo-te aos beijos com um outro alguém

E assim é o meu fado.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

F C M

F meus filhos, f uns aos outros
F bem e sem piedade
F seus interesseiros, de m.
F a vida de uns aos outros
E f a vossa por o terem feito.
F sabendo que se vão f, seus burros de m.
E para aqueles que mudam por caprichos, f ainda mais.
Para aqueles que pensam que conseguem melhor, f grandessíssimos filhos da p.
E para aqueles que têm sorte, f, porque eu não sei o que é isso.
F a vós e aos vossos grandiosos fados.
F porque tudo em vós é bom. F seus c.
F porque a vós tudo corre bem, seus c de m.
Ide dar uma volta, f e desapareçam da minha vida
Desapareçam da face da Terra seus c melindrosos.
F todos e mais alguns, c de m.