A minha maior dor é a persistência da
memória e a dor que os meus sonhos me causam por eles viverem no passado e
apenas lá. Entrei ontem na universidade, entretanto já passaram 5 anos e eu não
me sinto realizado, nem tão pouco. Se calhar é tudo por causa do sonho que tive
hoje que me deixou melancólico, mas no entanto olho para trás e vejo que a
minha mente ficou no passado porque só lá é que tudo era bom.
Sonhei com alguém do meu passado que nesse
tempo tinha despertado algo em mim. Não foi só agora, mas fez-me pensar. Foi um
sonho bom, um sonho do que podia ter vivido e não vivi, porque na altura não
era tão maturo nem tão sapiente. Não me apercebi dos sinais óbvios e menos
óbvios e, dos quais eu me apercebi, não tive força para ir em frente e tive
medo do que poderia acontecer. Foi um sonho encantador e prazeroso, senti-me
amado e amei tal como deveria ter feito no passado. Lá, tudo era perfeito e
tudo tinha ocorrido para que acabasse bem. Foi um sonho que não foi realidade
por minha burrice. Mas isso já foi no passado, onde os meus sonhos vivem.
Durante todo este tempo a minha mente não
foi buscar essa memória, tudo tinha passado ao lado. Mas reviver aquele
sentimento fez-me ver o quão longe eu estou do que me faz feliz.
Nos últimos tempos tenho sentido uma
mudança em mim, uma mudança abrupta e radical. Não sei o que aconteceu, não sei
o que fiz para que isso acontecesse, mas algo em mim mudou.
Estou diferente, penso de forma diferente,
os meus interesses mudaram, a minha preguiça é cada vez menor, não sinto a
espécie de tristeza interior que parecia viver comigo e à qual eu não dava
conta, pelo menos era assim que me andava a sentir. Mas hoje temi que o sonho
que tive me voltasse a parar no tempo, mas penso que tenha sido apenas um sonho.
Talvez os químicos na minha cabeça
voltaram a encontrar o equilíbrio perfeito que há 4 anos não encontravam, já não
sinto a ansiedade nem todos os problemas associados. Temo em dizer que já estou
curado e é por isso que tudo em mim está diferente. Acordei!?
Já não quero voltar para o meu quarto, já
não quero estudar mais física e matemática, não me dá prazer. Mas que quero eu
fazer? Não sei. Quero acabar o curso, mas não quero ir trabalhar para uma
empresa com desânimo e ficar tediado com trabalho, e não quero ver anos a
passar por mim fazendo algo que desprezo. Esse é o meu maior medo neste
momento, perder tempo! Perder tempo fazendo o que não gosto é algo que começa a
não encaixar na minha cabeça, sinto que o tempo é muito escasso para perdê-lo a
fazer o que me agasta.
Mas também não sei o que fazer, mas não
quero ser infeliz. Quero fazer por ser maior, por ser mais alto.
Neste preciso momento iria ter com a
menina do meu sonho, só para a ver! Mas desta vez não ficaria de pé atrás.
Seria tudo perfeito. Não lhe mostrava dúvida nem inquietude porque tinha a
certeza do que queria, fazíamos vida boémia pelo resto dos dias, vivíamos prazerosamente numa espécie de epicurismo e assim seriam os nossos restantes dias. Amá-la e
ser amado, criar família, viver e ser feliz.
É tudo isto o que eu quero sentir, algo
que não faria sentido para mim à uns tempos atrás. Era tudo o que queria se
tudo não passasse de um sonho.
26/10/2021
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